“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”

Vinícius de Moraes

Ja suspeitava o Poeta, viver é atravessar encontros.

Não apenas aqueles que nos transformam radicalmente, mas também os pequenos instantes de contato, os gestos mínimos, os olhares que se cruzam e criam novas possibilidades de existência.

A arte, em sua essência, também nasce desse movimento: do atrito entre matéria e imaginação, do diálogo entre o íntimo e o coletivo, da presença que convoca outra presença.

Cada obra aqui reunida é um ponto de convergência: entre artista e mundo, entre espectador e obra, entre mundos que se distanciam, mas ao mesmo tempo convergem, entre tempo passado e o instante presente. Não se trata de uma soma de individualidades isoladas, mas de um campo expandido de relações que se tocam, se afastam, se transformam.

Assim como a vida, a arte é feita de aproximações imprevisíveis, onde o que permanece é a potência de criar sentido a partir da presença do outro — seja ele humano, objeto, espaço ou memória.

André Costa, Maridéa de Deus e Melina Cohen Rubin, através de suas obras, convidam, neste percurso expositivo, a experimentar o encontro como um estado estético: um espaço de atenção e abertura, onde não apenas revela-se a visão de quem a criou, mas também o reflexo de quem a contempla.

Porque a vida, em sua mais profunda beleza, é justamente isso — um permanente exercício de se deixar surpreender pelo encontro.

Texto: Melina Cohen Rubin

ARTISTA

André Costa, 1968

Na pulsação das cores e no silêncio das formas, André revela mundos interiores. Suas telas, são passagens sensíveis por entre os labirintos do sentir. Emerge do íntimo, traduzindo em camadas de tons e ritmos, a busca constante por um sentido pleno - ou pela beleza do inacabado.

O profundo encontra a superfície, o que era desconhecido, agora revela-se através de traços muito bem estudados, e provoca o visitante a também encontrar o que de desconhecido dialoga consigo.

A última ceia, 2025

280 x 160cm
Acrílica
R$18.000,00

Releitura da célebre "A Última Ceia" de Walter Rane (1949), esta obra desconstrói a icônica composição de Leonardo da Vinci. Ao abandonar a rigidez simétrica renascentista, a cena resgata sua essência histórica mais humanizada e intimista.

Nesta composição, Jesus não está centralizado, mas é facilmente reconhecido por seu olhar doce e penetrante. Onze apóstolos estão reclinados ao redor da mesa, sentados no chão, como era o costume na época, nas refeições judaicas - judas foi subtraído da cena não por esquecimento, mas como um convite à reflexão sobre escolha, arrependimento e perdão.

A mesa é simples, composta por pães e copos rústicos. Esta obra é, portanto, uma síntese entre o sagrado e o contemporâneo, entre a memória da tradição e a liberdade da criação artística.
Convida não apenas à contemplação estética, mas à meditação interior — como se, ao esvaziar os excessos, o essencial finalmente pudesse emergir.

O sereno azul do teu olhar, 2025

90 x 160cm
Acrílica
R$ 6500,00

Um rosto feminino com traços firmes e penetrantes, construído por formas geométricas e cores vibrantes que se entrelaçam em fragmentos de luz e sombra - incompletos, mas intensos. Os azuis e amarelos se chocam e se complementam, sugerindo dualidades: força e suavidade, razão e emoção.

O olhar atravessa o observador, como quem questiona, desafia e revela que o que se vê não eh apenas uma face, mas um estado de espírito.

Inquebrável, 2025

90X160cm
Acrílica
R$6500,00

Neste retrato em cores intensas e traços angulares, cada fragmento revela mais do que o todo.

É um rosto que não se entrega de imediato — ele provoca, questiona, convida.

O contraste entre tons frios e quentes transforma a expressão em paisagem emocional. Uma presença forte, que se impõe sem palavras, feita de luz partida, como quem já se quebrou — e se refez arte.

Blue Man, 2025

90 x 160cm
Acrílica sobre canvas
R$8000,00

A obra mescla abstracionismo e figurativismo de maneira impactante. Em tons de azul, geometricamente fragmentados, evoca a complexidade e a profundidade do ser humano. O rosto masculino, composto por formas angulares e contrastes vibrantes, traz uma sensação de introspecção e mistério. A escolha da paleta azul resulta em uma atmosfera fria, quase meditativa, que convida o espectador a refletir sobre as múltiplas camadas da identidade e emoções ocultas sob a superfície. Textura e intensidade traduzem a modernidade e a fragmentação do mundo contemporâneo através do retrato.

Sinapses em vermelho, 2025

90 x 160cm
Acrílica sobre canvas
R$5500,00

Entre o fogo do vermelho intenso e a profundidade do preto, linhas se sucedem como um rio de pensamentos em perpétuo fluxo — retrato abstrato das sinapses — revelando um mapa vibrante, denso, infinito.

Linha de Harmonia, 2025

90 x 160cm
Acrílica sobre canvas
R$6000,00

A simplicidade encontra a elegância em sua forma mais pura. A superfície branca, levemente texturizada, é um vasto silêncio que convida à contemplação. O preto profundo que ocupa a metade inferior é um abismo de mistério e intensidade. Entre eles, uma linha dourada, fina e firme, é o fio que une dois mundos: luz e sombra, presença e ausência, calma e intensidade, revelando que a verdadeira sofisticação está na harmonia dos contrastes. A obra transcende o simples, sendo um convite para a alma encontrar seu próprio ponto de equilíbrio.

Silêncio, 2025

90 x 160cm
Acrílica sobre canvas
R$ 5400,00

A faixa negra, densa e profunda corta a tela de cima a baixo como metáfora do silêncio que guarda o que sentimos, mas não dizemos — lugar de espera e introspecção, que tem como origem as zonas mais insondáveis da mente humana. As texturas laterais em tons de cinza e azul, ora suaves, ora marcadas por riscos e arranhões, evocam o atrito inevitável entre a calma e turbulência dos processos de escolha, decisão e evolução. A obra é um espelho das tensões humanas: entre calar e falar, sentir e refletir, conformar-se e transformar-se.

Pausa entre tons, 2025

120 x 120cm
Acrílica sobre canvas
R$5200,00

Uma composição geométrica e minimalista, que dialoga com a estética do construtivismo e do modernismo abstrato.
A ausência de elementos figurativos convida à contemplação puramente sensorial, onde cor, forma e proporção são os verdadeiros protagonistas. A obra pode ser interpretada como um exercício de equilíbrio entre estrutura e silêncio.

ARTISTA

Maridéa de Deus, 1952

Com cores vibrantes e pinceladas vigorosas, as pinturas de Maridéa destacam-se pela intensidade e expressividade, eventualmente incorporando referências arquitetônicas que, ao invés de representarem um espaço específico, servem como ponto de partida para sua expressão artística. Na mostra a Arte do

Encontro, Maridéa traz sensações evocadas por luz, sombras, gestos, mistério. O encontro da dualidade da natureza está inserido em sua obra, enaltecendo o encontro de fúria e beleza contido em sua essência.

Força em movimento, 2019

120 x 100cm
Acrílica, carvão, tinta sintética
R$8200,00

Esta obra trabalha o gesto que se impõe como linguagem. Entre o vermelho que pulsa e o azul que se expande, este encontra seu próprio espaço . A artista evoca a sensação e a possibilidade de deixar que algo aconteça no espaço da cor.

Vida pulsante, 2021

100 x 100cm
Acrílica, pastel, carvão
R$5600,00

Energia e dinamismo com seu turbilhão de cores vivas e formas em movimento são o mote desta obra. Os tons quentes e intensos se fundem e se sobrepõem, criando calor e vitalidade, assim como a sensação de movimento e pulsação com vida própria.

Fendas, 2024

100 x 100cm
Acrílica, spray, carvão
R$5400,00

O instante em que algo se rompe. Não é dor, é somente passagem.
As fendas não são feridas, são frestas de luz, caminhos por onde o olhar atravessa.

Tormenta, 2022

100 x 80cm
Acrílica, carvão
R$5300,00

Essa obra expõe a dualidade da natureza…fúria e beleza. Nuvens escuras e carregadas, mar agitado ou o vento impetuoso evocam sensações de transformação, caos e poder da natureza.

Sombra e luz, 2019

100 x 100cm
Acrílica e carvão
R$5000,00

Nesta obra gesto e cor se tornam linguagens de encontro: entre o visível e o que permanece oculto, entre passado e presente. As camadas de azul, ocre e vermelho terra revelam o dialogo entre matéria e emoção, entre o que se dissolve e o que permanece.

Ibitipoca, 2024

100 x 70cm
Acrílica, carvão
R$5400,00

Transpus para a tela elementos que revelam a beleza e a complexidade Mistério e reverência. A água, em harmonia com a luz natural. Um ambiente onde sombras e reflexos se entrelaçam, trazendo uma sensação de calma e quietude.

Totens, 2025

120 x 10cm cada
Acrílica
R$3600,00 a dupla

Cerâmica de alta temperatura, 2019

120cm
R$4200,00

ARTISTA

Melina Rubin, 1985

Através da sua obra Melina explora as camadas mais profundas do “EU”, sendo o EU muitas vezes NÓS, bem como as nossas conexões interpessoais. Materializa, com o uso de cores ora vibrantes e contrastantes, ora sóbrias e delicadas, sua necessidade de refletir sobre o que é belo e dotado de conexão com o etéreo.

Propõe, nas obras apresentadas na mostra A Arte do Encontro, o diálogo entre esses dois mundos, do inconsciente, com a superfície visível e palpável do consciente, respaldada pela pesquisa que realiza na obra de Carl Gustav Jung.

Antes que o dia acabe, 2025

120 x 160cm
Acrílica, pastel de óleo, bastão oleoso
R$11.500,00

Aqui ninguém é perfeito, 2025

90 x 90cm
Acrílica e bastão oleoso
R$7200

Se faz sentir, faz sentido, 2024

90 x 70cm
Acrílica, pastel oleoso, bastão oleoso, verniz
R$6200,00

Meu tempo, seu tempo, 2024

90 x 70cm
Acrílica, pastel oleoso, bastão oleoso, verniz
R$6200,00

Cata-vento, 2024

90 x 70cm
Acrílica, pastel oleoso, bastão oleoso, verniz
R$6200,00